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"O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo. A vida veio e me levou com ela. Sorte é se abandonar e aceitar essa vaga ideia de paraíso que nos persegue, bonita e breve, como borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói."

- Cazuza

Deveríamos virar poeira

Queria sumir. É injusto ser obrigada a existir, deveríamos virar poeira quando não aguentássemos mais a barra. Virar poeira e ser espalhados pelo vento, para todos os lugares, misturando-se com outros elementos, fundindo-se a eles. E enfim um dia, quando o mundo acabasse, iríamos nos transformar em poeira novamente e descansar ao lado das estrelas, no infinito do universo. Seria a existência mais feliz. 

Fins de tarde de inverno

Eu amo fins de tarde de inverno, pra mim tudo nelas é incrível, especial. Acredito que são poucos os que gostam dessas tardes, a maioria prefere os fins de tarde de verão ou de primavera. Acho que isso se deve ao fato das pessoas não gostarem do inverno, pois creem que nele tudo é frio e cinza, eles não compreendem a beleza dessa estação. Pra mim o inverno é uma estação belíssima, a melhor de todas, exatamente por ser diferente das outras. Não é como verão, primavera e outono, que possuem lá sua alegria e euforia. Pelo contrário, é melancólico, calmo, não tem pressa. Isso o torna único, ai está sua beleza, naquilo que a maioria não entende. Algumas pessoas são como as tardes de inverno que eu tanto gosto: amadas por poucos, exatamente por aquilo que a maioria não compreende. 

Vida

A vida é uma montanha russa, com seus “altos” e “baixos”. Quem dera esta fosse só “altos”, não cansaria tanto. Sinto-me exausta. A vida está me exaurindo aos poucos.  

                                                  CAPITULO IX

                                                     A ÓPERA

 Já não tinha voz, mas teimava em dizer que a tinha. “O desuso é que me faz mal” - acrescentava. Sempre que uma companhia nova chegava da Europa ia ao empresário e expunha-lhe todas as injustiças da terra e do céu; o empresário cometia mais uma, e ele saía a bradar contra a iniquidade. Trazia ainda os bigodes dos seus papéis. Quando andava, apesar de velho, parecia cortejar uma princesa da Babilônia. Às vezes, cantarolava, sem abrir a boca, algum trecho ainda mais idoso do que ele ou tanto; vozes assim abafadas são sempre possíveis. Vinha aqui jantar comigo algumas vezes. Uma noite, depois de muito Chianti, repetiu-me a definição do costume, e como eu lhe dissesse que a vida tanto podia ser uma ópera como uma viagem de mar ou uma batalha, abanou a cabeça e replicou:

 - A vida é uma ópera e uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros a numerosos, muitos bailados, e a orquestração é excelente…

 - Mas, meu caro Marcolini…

 - Quê…?

 E, depois de beber um gole de licor, pousou o cálix, e expôs-me a história da criação, com palavras que vou resumir.

 Deus é o poeta. A música é de Satanás, jovem maestro de muito futuro, que aprendeu no conservatório do céu. Rival de Miguel, Rafael e Gabriel, não tolerava a precedência que eles tinham na distribuição dos prêmios. Pode ser também que a música daqueles outros condiscípulos fosse aborrecível ao seu gênio essencialmente trágico. Tramou uma rebelião que foi descoberta a tempo, e ele, expulso do conservatório. Tudo se teria passado sem mais nada, se Deus não houvesse escrito um libreto de ópera, do qual abrira mão, por entender que tal gênero de recreio era impróprio da sua eternidade. Satanás levou o manuscrito consigo para o inferno. Com o fim de mostrar que valia mais que os outros, e acaso para reconciliar-se com o céu - compôs a partitura, e logo que a acabou foi levá-la ao Padre Eterno.

 - Senhor, não desaprendi as lições recebidas - disse-lhe. - Aqui tendes a partitura, escutai-a, emendai-a, fazei-a executar, e se achardes digna das alturas, admiti-me com ela a vossos pés…

 - Não - retorquiu o Senhor -, não quero ouvir nada.

 - Mas, Senhor…

 - Nada! Nada!

 Satanás suplicou ainda, sem melhor fortuna, até que Deus, cansado e cheio de misericórdia, consentiu em que a ópera fosse executada, mas fora do céu. Criou um teatro especial, este planeta, e inventou uma companhia inteira, com todas as partes, primária e comprimárias, coros e bailarinos.

 - Ouvi agora alguns ensaios!

 - Não, não quero saber de ensaios. Basta-me haver composto o libreto: estou pronto a dividir contigo os direitos de autor.

 Foi talvez um mal esta recusa; dela resultaram alguns desconcertos que a audiência prévia e a colaboração amiga teriam evitado com efeito, há lugares em que o verso vai para direita e a música, para a esquerda. Não falta quem diga que nisso mesmo está a beleza da composição, fugindo à monotonia, e assim explicam o terceto do Éden, a ária de Abel, os coros da guilhotina e da escravidão. Não é raro que os mesmos lances se reproduzam sem razão suficiente. Certos motivos cansam à força de repetição. Também há obscuridades; o maestro abusa das massas corais encobrindo muita vez o sentido por um modo confuso. As partes orquestrais são, aliás, tratadas com grande perícia. Tal é a opinião dos imparciais. 

 Os amigos do maestro querem que dificilmente se possa achar obra tao bem acabada. Um ou outro admite certas rudezas e tais ou quais lacunas, mas com o andar da ópera é provável que estas sejam preenchidas ou explicadas, e aquelas desapareçam inteiramente, não se negando o maestro a emendar a obra onde achar que não responde de todo ao pensamento sublime do poeta. Já não dizem o mesmo aos amigos deste. Juram que o libreto foi sacrificado, que a partitura corrompeu o sentido da letra, e, posto seja bonita em alguns lugares, e trabalhada com arte em outros, é absolutamente diversa e até contrária ao drama. O grotesco, por exemplo, não está no texto do poeta; é uma excrescência para imitar as Mulheres Patuscas de Windsor. Este ponto é contestado pelos satanistas com alguma aparência de razão. Dizem eles que, ao tempo em que o jovem Satanás compôs a grande ópera, nem essa farsa nem Shakespeare eram nascidos. Chegam a afirmar que o poeta inglês não teve outro gênio senão transcrever a letra da ópera, com tal arte e fidelidade, que parece de próprio o autor da composição; mas, evidentemente, é um plagiário. 

 - Esta peça - concluiu o velho tenor - durará enquanto durar o teatro, não se podendo calcular em que tempo será ele demolido por utilidade astronômica. O êxito é crescente. Poeta e músico recebem pontualmente os seus direitos autorais, que não são os mesmos, porque a regra da divisão é aquilo da Escritura: “Muitos são os chamados, poucos os escolhidos”. Deus recebe em ouro, Satanás em papel. 

 - Tem graça…

 - Graça? - bradou ele com fúria; mas aquietou-se logo, e replicou: - Caro Santiago, eu não tenho graça, eu tenho horror à graça. Isto que digo é a verdade pura e última. Um dia, quando todos os livros forem queimados por inúteis, há de haver algum, pode ser que tenor, e talvez italiano, que ensine esta verdade aos homens. Tudo é música, meu amigo. No princípio era o dó, e do dó fez-se ré. etc. Este cálix…(e enchia-o novamente) este cálix é um breve estribilho. Não se ouve? Também não se ouve o pau nem a pedra, mas tudo cabe na mesma ópera…

 - Dom Casmurro

Tudo é finito

Sempre pensei na finitude das coisas, das pessoas. Podemos viver mais 5 segundos, ou mais 100 anos, o tempo é incerto. O certo é que não temos todo o tempo do mundo, não somos eternos, nada é eterno. 

“O amor só é bonito pra quem é amado”

Certa vez vi uma frase que dizia “O amor só é bonito pra quem sabe amar”. Pois bem, discordo de tal frase, para mim “O amor só é bonito pra quem é amado”.